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Lideranças femininas de povos e comunidades tradicionais apoiadas pelo Floresta+ Amazônia falam sobre protagonismo em territórios coletivos

O evento reuniu beneficiárias do Programa Floresta+ Amazônia, representantes do PNUD, do MMA, estudantes e pesquisadores. Foto: Jaqueline Almeida/Floresta+ Amazônia

Na última semana, o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), por meio da Secretaria Nacional de Povos e Comunidades Tradicionais e Desenvolvimento Rural Sustentável (SNPCT), e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), por meio da modalidade Comunidades, promoveram a Roda de Conversa Empoderamento Feminino na Gestão de Territórios Coletivos Tradicionais: Experiências de Mulheres Beneficiárias do Projeto Floresta+ Amazônia.

O diálogo fez parte da programação oficial do XII Seminário Brasileiro e do VII Encontro Latino-Americano sobre Áreas Protegidas e Inclusão Social, o SAPIS-ELAPIS, e reuniu um grupo de pessoas interessadas em conhecer as transformações e conquistas das mulheres nos territórios apoiados pelo projeto Floresta+ em quilombos, terras  indígenas e Reservas de Desenvolvimento Sustentável (RDS).

Lideranças em seus territórios e nas ações dos projetos locais apoiados pela Modalidade Comunidades, Marina Guajajara (Tuíra), Natália Alves e Elizângela Cavalcante vieram da Terra Indígena Arariboia e do Quilombo Cariongo, no Maranhão, e da Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Rio Uatumã, no Amazonas, respectivamente, e trouxeram relatos dos desafios e do crescimento coletivo, fortalecimento e empoderamento das mulheres de suas comunidades. A implementação dos projetos locais contou com apoio também do Instituto Sociedade, População e Sociedade (ISPN) e do Instituto de Conservação e Desenvolvimento da Amazônia (IDESAM).

Natália Alves disse que o projeto foi uma “bênção” para a comunidade em geral e para as mulheres em particular. Por meio do Projeto Quintais Produtivos, o quilombo Cariongo foi o primeiro do Maranhão a lançar um Plano de Gestão Territorial e Ambiental Quilombola (PGTAQ). Emocionada, ela relatou como, após as ações do projeto, as mulheres desenvolveram e fortaleceram suas capacidades e habilidades comunitárias, produtivas e pessoais e hoje mostram segurança e independência na comunidade e na vida familiar.  “O projeto Quintais Produtivos fortaleceu 28 famílias quilombolas. As mulheres melhoraram sua autonomia e hoje elas têm uma fonte de renda e tiram uma ajuda financeira para o sustento da casa”, afirmou.  

“É muito importante dar visibilidade a essas vozes que cuidam do território e trazem tantas experiências, tantos aprendizados e tanta construção a partir das vivências e de todo esse conhecimento”, disse a Secretária Nacional de Povos e Comunidades Tradicionais, do MMA, Edel Moraes, que mediou a roda de conversa e fez questão de mencionar, com orgulho, que é também é “uma mulher negra da floresta e de um território coletivo”. “Eu venho da luta pelas unidades de conservação e pela inclusão social e  pela valorização das pessoas que vivem na floresta”, destacou. 

A conversa, que contou com participantes do PNUD, do MMA, estudantes e pesquisadores, teve momentos de emoção e trocas entre as mulheres e a plateia. Um dos momentos de maior emoção foi quando Elizângela Cavalcante, mulher ribeirinha da RDS Rio Uatumã, no Amazonas, recitou a letra da música Escrito nas Estrelas e dedicou os versos aos técnicos do projeto. “O Floresta+ trouxe articulações muito importantes como a formação do grupo “Mulheres Resolvidas”, e que se mantêm. Hoje, quando a gente chama as mulheres para uma roda de conversa, elas vêm também para oficinas, vêm receber atendimento psicológico e social. E tudo isso começou com apoio do PNUD e do Ministério do Meio Ambiente. O grupo feminino é fundamental para que a gente continue resistindo e insistindo e vendo mais mulheres ocupando mais espaços”, detalhou Elizângela.

Para a assessora técnica do PNUD para a modalidade Comunidades, Mariana Machado, os relatos ultrapassam os números e metas de planos de trabalho porque mostram impactos reais nas comunidades apoiadas, com relatos muito ricos de fortalecimento coletivo, resgate de conhecimentos tradicionais e festejos, além do fortalecimento das redes de mulheres nos territórios. É muito gratificante ver nosso trabalho junto com a SNPCT/MMA resultar nesses impactos tão positivos”, concluiu.    

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