
Cerca de 180 pessoas, entre manejadores, associações, organizações parceiras e representantes de instituições públicas que atuam com manejo do pirarucu e com políticas de sociobioeconomia, participaram na última quinta (7) e sexta-feira (8), em Manaus (AM), da Oficina de Pagamento por Serviços Ambientais (PSA) da Sociobioeconomia do Pirarucu. Promovido pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), em parceria com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), no âmbito do Projeto Floresta+ Amazônia, o encontro teve como foco orientar associações e produtores sobre a nova chamada pública do PSA voltada ao manejo sustentável do pirarucu no Amazonas.
Realizada no Hotel Comfort, no Distrito Industrial, a oficina serviu para esclarecer dúvidas sobre o processo de habilitação, cadastro e adesão à chamada pública. A iniciativa contou ainda com o apoio do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), por meio da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), e do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Outro parceiro importante na oficina foi o Coletivo do Pirarucu, que representa cerca de 2.500 famílias, em especial extrativistas indígenas e ribeirinhos, que desenvolvem a prática do manejo comunitário do pirarucu em dez unidades de conservação, oito terras indígenas e dez áreas de acordo de pesca no Amazonas.
Ao longo dos dois dias, os participantes receberam orientações técnicas sobre critérios de elegibilidade, etapas da chamada pública, salvaguardas socioambientais, prestação de contas e cronograma de execução. Também participaram de um mutirão de cadastramento no Sistema de Cadastro Nacional (SICAN), etapa necessária para acesso ao programa e solicitação dos pagamentos.
Para o representante do MDA, João da Mata, o momento representa um marco para o fortalecimento das comunidades e para a valorização do manejo sustentável do pirarucu. “É um momento emblemático que estamos vivenciando. Uma forma de reconhecer e valorizar o trabalho das comunidades. O manejo do pirarucu é uma atividade de conservação ambiental exemplar para o mundo”, afirmou.

Durante a programação, a diretora de Políticas Públicas da Conab, Naira Bittencourt, destacou que a construção da política pública partiu das demandas dos próprios territórios amazônicos. “Foi indo nos territórios que observamos que precisamos de um conjunto de políticas públicas para fortalecer os territórios e o PSA para o pirarucu — o primeiro PSA da Sociobiodiversidade — é uma dessas políticas. Essa política não foi construída a distância, mas veio dos territórios. O objetivo é que os territórios sejam fortalecidos e que as pessoas que protegem a natureza sejam mais valorizadas”, ressaltou.
O presidente do Conselho Nacional das Populações Extrativistas (CNS), Flávio Ferreira, também enfatizou a importância simbólica e prática da iniciativa para os povos e comunidades tradicionais. “Entendo que aqui não é apenas uma oficina, mas também a comemoração de uma política tão importante para os nossos territórios”, declarou.
A chamada pública do PSA do Pirarucu integra a estratégia do Governo Federal de promoção da sociobioeconomia e reconhece financeiramente pescadores e pescadoras artesanais que realizam o manejo sustentável da espécie no Amazonas. Entre os serviços ambientais contemplados estão o monitoramento dos estoques, a vigilância territorial, o planejamento participativo, o zoneamento dos lagos e a comercialização formal da produção.
A iniciativa é desenvolvida no âmbito da Modalidade Inovação do Projeto Floresta+ Amazônia, que apoia ações voltadas à conservação ambiental, geração de renda e fortalecimento das comunidades tradicionais na Amazônia Legal.

Sobre o Floresta+ Amazônia
O Projeto Floresta+ Amazônia é uma iniciativa de cooperação internacional do governo brasileiro, coordenada pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e implementada em parceria com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), com apoio da Agência Brasileira de Cooperação (ABC) e financiamento do Green Climate Fund (GCF). O projeto incentiva a conservação e recuperação da vegetação nativa por meio de mecanismos de Pagamento por Serviços Ambientais (PSA), reconhecendo e valorizando quem protege a floresta.


