Notícias
Saberes tradicionais e conservação: o avanço das boas práticas do Projeto Floresta+ Amazônia no Maranhão
Iniciativa do MMA e do PNUD transforma a conservação em um ativo econômico, promovendo a equidade de gênero e a valorização das comunidades tradicionais.

O fortalecimento da economia verde no Maranhão tem se consolidado por meio de um modelo de gestão que une o reconhecimento financeiro à valorização dos saberes tradicionais. Com boas práticas de conservação e incentivo à produção sustentável, o Projeto Floresta+ Amazônia demonstra que a manutenção da floresta em pé pode ser um ativo econômico poderoso para comunidades locais. Ao integrar o Pagamento por Serviços Ambientais (PSA) ao protagonismo de agricultoras e agricultores familiares, indígenas e quilombolas, a iniciativa destaca desenvolvimento que concilia proteção ambiental, equidade de gênero e justiça social nos territórios maranhenses.
O Floresta+ é uma iniciativa de cooperação internacional do governo brasileiro, liderada pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), em parceria com o PNUD e financiado pelo Fundo Verde para o Clima (GCF).
Boas práticas em conservação
Na Modalidade Conservação, que reconhece financeiramente agricultoras e agricultores que conservam a vegetação nativa em suas propriedades rurais, o projeto já destinou R$ 1,2 milhão em PSA, beneficiando diretamente 109 agricultores familiares distribuídos em 22 municípios maranhenses. Esse desempenho evidencia não apenas a adesão ao programa, mas o compromisso das comunidades rurais com a proteção da floresta.
Em 2026, além do PSA, o projeto tem certificado os agricultores e agricultoras como Provedores de Serviços Ambientais, um reconhecimento a mais àquelas e àqueles que contribuem com a conservação, preservando áreas de floresta em suas propriedades. Eduardo Braga, do município de Bequimão (MA), foi um dos agricultores familiares que recebeu o reconhecimento. Para ele, o apoio financeiro faz diferença para a produção, pois além de conservar a floresta, impulsiona a produção na propriedade rural: “Esse certificado não é só para mim, mas para toda uma geração. Antigamente, a gente não tinha essa oportunidade, então que sirva de exemplo. As gerações futuras vão agradecer”.
Boas práticas em comunidades
Outra iniciativa do Projeto Floresta+ Amazônia que apresenta resultados expressivos no Maranhão é a Modalidade Comunidades. Ela apoia a implementação de projetos locais que visam fortalecer a gestão ambiental e territorial nas comunidades. O Floresta+ atua em territórios indígenas e quilombolas no estado.
Dentro da Modalidade Comunidades, uma das práticas de maior êxito é o apoio direto à infraestrutura produtiva, que visa transformar o potencial natural em autonomia econômica. Um exemplo emblemático dessa estratégia, executado em parceria com o Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN), é a construção da agroindústria de mel na comunidade quilombola Ilha do Teso.
A iniciativa representa uma solução concreta para a estruturação da cadeia do mel no município de Anajatuba (MA), permitindo que o saber tradicional seja potencializado por uma estrutura de processamento adequada. Além de agregar valor ao produto, a agroindústria consolida a gestão ambiental e territorial da região, servindo de modelo para outros nove quilombos em Anajatuba e Santa Rita, que hoje avançam com quintais produtivos, roçados estruturados e geração de renda atrelada à conservação.
“Esse apoio chega em um momento muito importante para nós. Ele fortalece o trabalho coletivo da comunidade, valoriza o que a gente já faz há anos pela conservação da floresta e ainda abre caminhos para melhorar a nossa renda com dignidade. Para nós, mulheres e homens da comunidade, é também um reconhecimento do nosso modo de vida e da nossa relação com a natureza, que sempre foi de cuidado e respeito”, explicou a beneficiária e presidente da União das Associações das Comunidades Remanescentes de Quilombos do Município de Anajatuba (Uniquituba), Eliane Frazão.
Segundo a coordenadora do ISPN no Maranhão, Ruthiane Pereira da Silva, é importante destacar que, assim como Ilha do Teso, outros nove quilombos de Anajatuba e Santa Rita vivenciaram experiências de melhorias em infraestrutura, quintais produtivos, roçados e de gestão territorial e ambiental com apoio do Projeto Floresta+ Amazônia. “O que a gente vê no Maranhão é a força das comunidades quando recebem apoio estruturado e contínuo. O Projeto Floresta+ Amazônia tem possibilitado não só melhorias concretas na infraestrutura e na produção, como a agroindústria de mel na Ilha do Teso, mas também o fortalecimento da autonomia e da gestão territorial nos quilombos. Em Anajatuba e Santa Rita, são diversas comunidades que hoje avançam com quintais produtivos, roçados mais estruturados e práticas sustentáveis que valorizam seus saberes tradicionais e garantem renda com conservação”, completa Ruthiane Pereira.

A coordenadora local do Projeto Floresta+ Amazônia pela Modalidade Conservação, Geusa Dourado, também comemora os resultados junto aos agricultores e agricultoras provedores de serviços ambientais. “O Maranhão está no ranking dos estados que têm controlado o desmatamento na Amazônia, mantendo sua trajetória positiva. Foram mais de R$ 688 mil pagos a 67 agricultoras e agricultores familiares, com aumento da participação feminina para 41%. Os resultados demonstram avanço no envolvimento das famílias agricultoras na conservação da floresta, além de apontar equidade de gênero nas políticas ambientais”, ressalta.
“Participar do Projeto Floresta+ Amazônia é como uma garantia da proteção do nosso bioma, das nossas florestas. É muito importante que todos tenham essa expertise de preservar as florestas, para que tenhamos qualidade de vida para as próximas gerações”, afirma o agricultor José Maria Rodrigues, da Região Metropolitana de São Luís (MA).
O êxito das iniciativas maranhenses apoiadas pelo Projeto Floresta+ Amazônia demonstra que é possível conciliar conservação ambiental com desenvolvimento social. Ao valorizar quem protege a floresta, o Estado não apenas contribui para a redução do desmatamento, mas também fortalece economias locais e promove justiça ambiental.
“O Projeto Floresta+ Amazônia tem gerado resultados concretos e replicáveis ao integrar conservação ambiental, inclusão produtiva e valorização dos saberes locais. Do ponto de vista do planejamento estratégico do PNUD, essas experiências demonstram que políticas públicas bem estruturadas, aliadas ao protagonismo das comunidades, são fundamentais para promover desenvolvimento sustentável com impacto real nos territórios. O que vemos aqui é um modelo consistente, com potencial de escala e de inspiração para outras regiões do país”, enfatiza a coordenadora da Área de Planejamento Estratégico do PNUD, Juliana Wenceslau.
Para alcançar resultados, o Floresta+ conta com a parceria do Governo do Estado, por meio das secretarias estaduais de Meio Ambiente e Recursos Naturais e de Agricultura Familiar, que têm contribuído para o avanço da regularização ambiental dos imóveis rurais por meio do Cadastro Ambiental Rural (CAR) das agricultoras e agricultores familiares – um dos critérios para acesso ao PSA. Outro apoio local importante é o da Agência Estadual de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural, além das prefeituras, sindicatos e instituições locais, que se envolvem e apoiam durante os mutirões e ações nos municípios.