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Mutirão do Floresta+ Amazônia reforça apoio a agricultores familiares em municípios prioritários no Acre


Entre os dias 3 e 5 de dezembro, o Projeto Floresta+ Amazônia realizou um mutirão de atendimento nos municípios de Feijó e Manoel Urbano, no Acre, beneficiando 118 famílias de agricultores familiares. As ações abrangeram regularização ambiental, novas inscrições no projeto e entrega de certificados a provedores de serviços ambientais que já participam da iniciativa.
Os dois municípios integram a lista de áreas prioritárias para controle do desmatamento, definida pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), devido aos elevados índices de supressão florestal registrados nos últimos anos.
Segundo Nazaré Soares, coordenadora técnica do Floresta+ Amazônia pelo MMA, o mutirão reforça a atuação integrada do governo federal na região. “O governo federal promove políticas ambientais positivas na Amazônia, não apenas de fiscalização. Por meio do Projeto Floresta+ Amazônia, além do pagamento por serviços ambientais, apoiamos o fortalecimento dos municípios prioritários e a execução de ações de recuperação”, destaca.
O Floresta+ Amazônia é uma iniciativa do governo brasileiro, coordenada pelo MMA, em parceria com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e com financiamento do Fundo Verde para o Clima (GCF). No Acre, o projeto é executado em articulação com a Secretaria de Estado do Meio Ambiente (SEMA).
Agricultores celebram a renda gerada pela floresta em pé – A entrega de certificados aos novos provedores de serviços ambientais marcou o mutirão. Em Feijó, 15 agricultores familiares receberam o reconhecimento, entre eles Edu Rodrigo Rodrigues, que relembra a desconfiança inicial quando ouviu falar do projeto. “Achei que não ia dar certo. Meu pai achou ainda mais estranho, mas me incentivou. Graças a Deus deu tudo certo”, celebra.

O agricultor Francisco Rodrigues compartilha sentimento semelhante. “Meus vizinhos falavam que era ilusão. Hoje vejo que é uma oportunidade. Como estou com problemas de saúde e já não posso trabalhar na terra, essa renda faz muita diferença”, afirma.
Também de Feijó, Francisco Bezerra, 63 anos, reforça a importância do apoio financeiro: “Me inscrevi porque não aguento mais carregar peso. Trabalhei a vida toda na seringa e depois na agricultura. Agora, com o projeto, tenho um suporte que ajuda muito”.
Em Manoel Urbano, 18 agricultores receberam certificação. Entre eles está Jocilene Silva, viúva e mãe de duas filhas, que ajustou o uso da propriedade para priorizar a conservação após conhecer o projeto. “No início eu ia desmatar a frente e deixar o fundo com mata. Quando soube do Floresta+, decidi não mexer. Foi perfeito! Recebo por conservar e posso investir nos estudos das minhas filhas”, relata.

A participação feminina tem destaque no estado: 45 das 91 pessoas já beneficiadas com Pagamento por Serviços Ambientais (PSA) no Acre são mulheres. Até o momento, o projeto destinou aproximadamente R$ 1 milhão em PSA a pequenos imóveis rurais distribuídos em 10 municípios acreanos.
Para Lilian Rosa, coordenadora do projeto no Acre, o mutirão reforça laços com quem cuida do território. “Estar com os agricultores é reconhecer seu esforço, ouvir suas necessidades e reforçar nosso compromisso com quem está na ponta. A confiança deles é a prova de que é possível gerar renda, produzir e manter a floresta em pé”, afirma.
Resultados – Em Feijó, o mutirão atendeu 61 famílias, com a realização de 19 solicitações de análise de imóvel, seis cadastros no CAR, quatro atendimentos de notificações — incluindo a assinatura de um Termo de Compromisso Ambiental (TCA) — e oito novas inscrições na Modalidade Conservação do Floresta+ Amazônia. Já em Manoel Urbano, onde foram atendidas 57 famílias, as equipes do projeto realizaram 10 solicitações de análise de imóvel, 10 pedidos de cadastro no CAR, 10 atendimentos de notificações e registraram quatro assinaturas de TCA, reforçando o avanço das ações de regularização ambiental e adesão ao projeto nos municípios prioritários.