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Belamazônia: família e cacau promovendo sustentabilidade e renda na floresta

Mãe, pai e filha transformaram um sonho em projeto de vida transformando amêndoas de cacau em economia, identidade e esperança.
Fotos: Equipe Floresta+ Amazônia

Na imensidão da floresta amazônica, na região do Xingu (PA), onde o verde se confunde com o céu, brota uma história feita de coragem, sabor e sonhos: a da Belamazônia, empresa familiar que transformou amêndoas de cacau em muito mais do que chocolate — em economia, identidade e esperança. Exemplo que é possível empreender, gerar renda e conservar a floresta, valorizando e promovendo produtos locais da sociobiodiversidade amazônica.

A história da Belamazônia começa com uma mulher, dona Jussara Nascimento, na localidade de Volta Redonda, área rural de Altamira (PA). Uma mãe e empreendedora com talento para os trabalhos manuais, em especial pela costura, e o gosto pela cozinha – e um marido que passou décadas dedicando-se à terra e ao cultivo do cacau. Foi nessa união de saberes, ofícios e vontade de crescer juntos que a Belamazônia se formou. Não só como produtor de chocolate, mas como o legado vivo de uma família que soube transformar amor em sustento.

A psicóloga Tatiana Nascimento sempre esteve ao lado dos pais nessa jornada e comemora o ingresso da Belamazônia no programa Floresta+ Amazônia, como um divisor de águas na história do negócio

O início artesanal – Como destaca Tatiana Nascimento, psicóloga e filha do casal – que sempre apoiou os pais no empreendimento, “no início, tudo era feito de forma muito artesanal. “Torrávamos o cacau no fogão de casa, quebrávamos os grãos, tudo manualmente. Fazíamos nosso ‘chocolate de panela’ para vender. Aos poucos, fomos pegando gosto pela coisa. Compramos a primeira ‘melanguer’ e começamos a fazer as barrinhas de chocolate”, explica Tatiana. E, foi assim, com método rudimentar, mas com sabor de casa, de história, de pertencimento. Feirinhas locais, elogios da família, incentivo de amigos. Um passo dado de cada vez.

O salto – A virada veio com o ingresso no Programa de Incubação do Projeto Floresta+ Amazônia, no âmbito da Modalidade Inovação, em parceria com a empresa de consultoria Sementes Negócios.  O Floresta+ é uma iniciativa de cooperação internacional do governo brasileiro, liderado pelo  Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), em parceria com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e com financiamento do Fundo Verde para o Clima (GCF). O projeto  busca fortalecer cadeias produtivas ligadas à sociobiodiversidade, promovendo ao mesmo tempo conservação, recuperação ambiental, desenvolvimento sustentável e geração de renda na Amazônia. 

“Para nós foi uma mudança e tanto! Desde o primeiro dia dentro do Programa de Incubação do Floresta+ Amazônia, minha visão sobre o trabalho aqui na Belamazônia mudou completamente, especialmente em relação às nossas vendas. Esses seis meses de acompanhamento passaram voando. Mas, tudo valeu muito a pena”, contou dona Jussara.

“Esse processo não significou só um suporte técnico, mas sim a abertura de um horizonte. Vimos que o chocolate podia ser mais que um produto. Ele podia ser uma ponte para outros mercados, uma forma de contar sobre a nossa cultura, uma maneira de valorizar o cacau e a floresta em pé”, lembrou a empreendedora.

O compromisso da Belamazônia vai além da produtividade e prioriza qualidade, sabor e respeito ao ambiente

Práticas, desafios e qualidade

A família Belamazônia sempre trabalhou com cuidado artesanal, com um compromisso que vai além da produtividade: a qualidade, o sabor e o respeito ao ambiente. Tatiana Nascimento destaca aspectos que refletem não só competência, mas ética: uso de ingredientes alinhados com visão orgânica — por exemplo, açúcar demerara orgânico em lugar de açúcar refinado. “Evitamos certos ingredientes que destoariam da proposta de saúde e ambientalismo. E, sem esquecer a dificuldade natural de produzir numa região amazônica: insumos caros, logística complicada, maquinário difícil de obter. Mesmo assim, persistem no artesanal, no cuidado com o processo, na busca de melhorar”, revela Tatiana.

A qualidade e os cuidados aos produtos foram reconhecidos externamente, pelo mercado e  empresas parceiras. O empreendimento já foi premiado em eventos locais e nacionais (como festivais de chocolate). Os espaços, como de feiras e exposições, têm alavancado o empreendimento e  a marca  Belamazônia, mostrando que é possível conciliar conservação da  floresta, família e mercado.

Os sabores dos produtos são marcantes e traduzem o respeito e valorização à matéria prima vinda da floresta

Conquistas e sonhos

Entre os principais marcos da Belamazônia desde o início da trajetória do empreendimento estão: a produção de chocolates com identidade amazônica, barras com altos percentuais de cacau, sabores únicos e feitos por uma empresa familiar que conserva a floresta. Outro destaque para o empreendimento é o reconhecimento em importantes festivais do chocolate na região, com medalhas de ouro e prata, como o produto Encanto Amazônico – Chocolate 60% cacau – Belamazônia, que foi premiado no Festival Internacional do Chocolate Xingu 2024 e na Feira Flor do Pará.  A participação no programa do Floresta+ Amazônia, que além da incubação, trouxe visibilidade e aprendizado para comercialização, gestão, processo produtivo.

E, os sonhos continuam vivos no planejamento dos próximos passos do empreendimento familiar: construir uma fábrica própria, ampliar maquinários, fazer turismo rural, continuar agregando valor ao cacau, expandir mercados. 

Para Tatiana Nascimento, a Belamazônia está cheia de ideias e planejamento para o futuro. “Nosso sonho é ter nossa própria fábrica. Olho para trás e vejo a trajetória dos meus pais. Vê-los trabalhar incansavelmente não me sai da cabeça. Antigamente, ser agricultor não era profissão de reconhecimento. Muitos nos diziam para estudar ‘para ser alguém na vida’. Mas, hoje, com orgulho, vejo o legado que meus pais construíram. Eles chegaram onde muita gente sequer imaginou”, destacou orgulhosa Tatiana Nascimento.

“Histórias como a da Belamazônia mostram, na prática, que conservação e geração de renda caminham juntas. Quando apoiamos empreendimentos familiares ligados à sociobiodiversidade, como essa iniciativa baseada no cacau amazônico, estamos fortalecendo não apenas um negócio, mas um modo de vida, um território e um conhecimento que passa de geração em geração. O papel do Floresta+ Amazônia é justamente criar as condições para que essas famílias ampliem sua visão de mercado, qualifiquem seus processos e sigam crescendo sem abrir mão da floresta em pé”, ressaltou o assessor técnico do Projeto Floresta+ Amazônia, Giuliano Guimarães.

Histórias como a da Belamazônia mostram, na prática, que conservação e geração de renda caminham juntas
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