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Com o apoio do Floresta + Amazônia, comunidades do Médio Juruá fortalecem integração de gerações no manejo do pirarucu

No Médio Juruá, o conhecimento sobre o pirarucu é transmitido de forma prática e cotidiana.
Fotos: ASPROC

No coração do Médio Juruá, no Amazonas, comunidades ribeirinhas mantêm vivas suas tradições a partir do manejo comunitário do pirarucu — uma prática que vai além da pesca e se consolida como um importante instrumento de conservação ambiental, geração de renda e fortalecimento cultural. A iniciativa integra o projeto de Rios Sustentáveis, caminhos da cidadania e inclusão, que tem como uma das principais ações a integração de gerações. A atividade foi promovida pela Associação dos Produtores Rurais de Carauari (ASPROC), com apoio do Projeto Floresta+ Amazônia, no âmbito da Modalidade Comunidades, reunindo jovens, mulheres, homens e anciãos em torno da proteção da floresta e dos modos de vida tradicionais.

O manejo do pirarucu envolve todas as etapas do cuidado com o território: da vigilância dos lagos ao monitoramento dos peixes, da contagem à pesca propriamente dita. Esse processo coletivo reforça o sentimento de pertencimento e responsabilidade compartilhada, além de criar um espaço fundamental para a troca de saberes entre gerações.

“O manejo do pirarucu não é só sobre o peixe. É cuidado com a vida, respeito à floresta e aos rios que sustentam nossas comunidades. Quando, nós, que somos mais velhos, ensinamos e os jovens aprendem, garantimos que esse conhecimento continue vivo”, destaca Ozanio Bispo, ancião da comunidade São Raimundo e participante do projeto.

Os anciãos ensinam aos mais jovens não apenas como manejar o pirarucu, mas como cuidar do território.

Saberes que atravessam gerações

No Médio Juruá, o conhecimento sobre o pirarucu é transmitido de forma prática e cotidiana. Os anciãos compartilham técnicas de manejo, observação  da natureza e histórias que carregam valores de respeito, identidade e pertencimento. Detalhes como a diferenciação entre o macho e a fêmea do pirarucu, identificada pela coloração das escamas do peixe, fazem parte desse aprendizado ancestral repassado às novas gerações.

“Os mais velhos ensinam não apenas como manejar o pirarucu, mas como cuidar do território. Esse repasse de conhecimento é essencial para que os jovens possam levar esse aprendizado para suas comunidades e também para outros territórios. Essa integração entre gerações e entre comunidades que vivem a mesma realidade é muito importante”, afirmou o  gestor da Reserva Extrativista do Médio Juruá, Manuel Cunha.

Essa troca se fortalece ainda mais por meio de ações de intercâmbio entre comunidades da Reserva Extrativista do Médio Juruá e da Reserva de Desenvolvimento Sustentável Uacari, promovendo o compartilhamento de experiências e boas práticas de manejo sustentável.

Juventude, inovação e continuidade

Os jovens têm assumido um papel cada vez mais ativo nesse processo. Com energia, curiosidade e novas ferramentas, eles contribuem para a continuidade do manejo, aliando os saberes tradicionais a inovações que fortalecem a organização comunitária e ampliam as oportunidades de geração de renda.

“A juventude entende que continuar com o manejo é garantir futuro para nossas famílias. A gente aprende com os mais velhos e, ao mesmo tempo, traz novas ideias para melhorar o trabalho e fortalecer nossa comunidade”, relatou a jovem da comunidade da Barreira do Idó e participante do projeto, Thaianny Cruz.

Os anciãos compartilham técnicas de manejo, observação  da natureza e histórias que carregam valores de respeito, identidade e pertencimento.

Parceria que fortalece territórios – A atuação da ASPROC conta com o apoio do Projeto Floresta+ Amazônia, parceiro estratégico no fortalecimento de iniciativas comunitárias que promovem a conservação da floresta aliada ao desenvolvimento sustentável. Por meio dessa parceria, são incentivadas ações de intercâmbio de saberes, fortalecimento organizacional e valorização dos serviços ambientais prestados pelas comunidades tradicionais.

“O intercâmbio entre gerações foi uma experiência rica de troca de saberes intergeracional, cultural e de aprendizado sobre respeito e cuidado com a natureza. Foi também um encontro entre comunidades, no qual podemos compreender o quanto temos a ensinar e aprender umas com as outras. Embora sendo do mesmo rio, cada comunidade tem suas especificidades nos seus modos de vida, transformando o intercâmbio em um momento importante sobre identidade do território”, explicou Quilvilene Cunha, representante da ASPROC.

O Projeto Floresta+ Amazônia é uma iniciativa do Governo Federal, coordenada pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), em parceria com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e com apoio do Fundo Verde para o Clima (GCF). O projeto atua no fortalecimento de políticas e iniciativas que reconhecem e valorizam os serviços ambientais prestados por povos indígenas, comunidades tradicionais, agricultores familiares e produtores rurais da Amazônia Legal, contribuindo para a conservação da floresta, a geração de renda e a promoção do desenvolvimento sustentável nos territórios.

“Para o Floresta+ Amazônia, apoiar iniciativas como o manejo comunitário do pirarucu é reconhecer o protagonismo das comunidades tradicionais na proteção da floresta. A integração entre gerações é um dos pilares para garantir a continuidade dessas práticas”, ressaltou  a assessora técnica do Projeto Floresta + Amazônia, Mariana Machado.

Para a coordenadora de Povos e Comunidades Tradicionais da Secretaria Nacional de Povos e Comunidades Tradicionais e Desenvolvimento Rural Sustentável do MMA, Angela Roma, o  manejo comunitário do pirarucu no Médio Juruá mostra que a proteção da Amazônia se constrói com o protagonismo dos povos e comunidades tradicionais e com a valorização dos saberes transmitidos entre gerações. “Quando jovens, mulheres, homens e anciãos atuam juntos no cuidado dos lagos e do território, não estamos falando apenas de conservação ambiental, mas de cultura, identidade, renda e justiça socioambiental. Para o MMA, apoiar iniciativas como essa é fortalecer políticas públicas enraizadas nos territórios, reconhecer quem historicamente cuida da floresta e investir na continuidade de uma Amazônia viva para as próximas gerações”, destacou.

Mais do que um recurso natural, o manejo do peixe representa a continuidade da vida na floresta, conectando passado, presente e futuro.

Um legado para o futuro da Amazônia – Antes ameaçado de desaparecer, o pirarucu se tornou símbolo de resistência, sociobiodiversidade e organização comunitária no Médio Juruá. Mais do que um recurso natural, o manejo do peixe representa a continuidade da vida na floresta, conectando passado, presente e futuro.

Ao fortalecer a integração de gerações, a ASPROC, com apoio do Floresta+ Amazônia, reafirma que o conhecimento tradicional, quando valorizado e compartilhado, é um caminho essencial para a conservação da Amazônia e para a permanência digna das populações que vivem e cuidam da floresta.

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